Empreiteira maranhense usa empresa de fachada e domina licitações no governo Bolsonaro

A empreiteira maranhense Engefort, com sede em Imperatriz (MA), tem conquistado a maioria das concorrências de pavimentação do governo Jair Bolsonaro (PL) em diferentes licitações, nas quais participou sozinha ou acompanhada de uma empresa de fachada registrada em nome do irmão de seus sócios, conforme informou o jornal Folha de São Paulo, na noite do último domingo (10).

A empresa teve uma explosão em verbas públicas recebidas no atual governo Bolsonaro, obtendo contratos para asfaltamento longe de sua base. Até agora, o governo reservou cerca de R$ 620 milhões do Orçamento para pagar à empresa. Ao total a Engefort já recebeu R$ 84,6 milhões. A fonte de recursos dela são contratos com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paraíba (Codevasf), a qual foi entregue por Bolsonaro ao Centrão em troca de apoio político no Congresso.

O repasse a Codevasf vem sendo liderado pela Engefort Construtora e Empreendimento desde o ano passado. Em 2021, foi a segunda construtora em volumes totais empenhados pelo governo federal, ficando atrás apenas da LCM Construção, que acumula R$ 843 milhões em verbas reservadas.

Ela foi a única empreiteira a participar de todas as licitações no Distrito Federal e nos 15 estados abrangidos pela Codevasf. Ganhou 53 concorrências, mais da metade dos pregões (licitação simplificada). Seu desempenho mais expressivo foi em Minas Gerais, conquistando 28 da 42 licitações na modalidade asfalto CBUQ e bloquetes. Embora o setor de construção pesada tenha mais de 200 empresas nesse estado, a Engefort concorreu sozinha e levou 10 dos 21 contatos para serviços com bloquetes e concreto.

Em parte das concorrências da Codevasf, a Engefort teve a companhia de uma empresa de fachada: a Del Construção Ltda. Dois dos casos que mais chamam atenção é os pregões eletrônicos que levaram à assinatura de um contrato no valor de R$ 62,5 milhões para pavimentação no Amapá e R$ 55 milhões para pavimentação em vias rurais no Maranhão. Nessas licitações as duas únicas empresa participantes foram a Engefort e a Del. Não havendo registros de vitória da Del Construtora em nenhuma concorrência federal ou estadual do Maranhão.

O jornal explica que, ao usar uma empresa de fachada para fazer números em uma concorrência a empreiteira buscava evitar chamar atenção dos órgãos de fiscalização, visto que a falta de competitividade dar margens a investigações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.