E viva o povo Libanês – Sérgio Muniz

Por Sérgio Muniz
Para Blog 

Foi com grande satisfação que fiquei sabendo, através do meu amigo Wissam Maalouf, que foi aprovado projeto de lei de iniciativa do Deputado Eduardo Braide criando no calendário oficial do Estado o dia dos Libaneses, o qual será festejado em 22 de novembro, dia em que o Líbano se tornou independente da França. Espera-se que seja sancionado.

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Para quem não sabe, a comunidade libanesa no Maranhão é a terceira mais numerosa, perdendo apenas para os descendentes de portugueses e para os afrodescendentes.

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Com efeito, segundo levantamento feito por vários historiadores, em que pese não se tenha uma data exata que marque o inicio da imigração libanesa para o Maranhão, registros apontam que o inicio teria se dado por volta de 1880, posterior a uma viagem de Dom Pedro II pela Europa e mundo Árabe, tendo ele difundido a idéia de receber imigrantes para ocuparem o espaço deixado pela mão de obra escrava recem abolida do nosso País. Não por acaso, os primeiros imigrantes sirios e Libaneses se estabeleceram inicialmente em São Paulo e nos demais Estados que possuíam dependência de mão de obra em grande quantidade. Assim, estabeleceram-se no Maranhão na capital e nos grandes centros rurais, como Caxias, Codó, Itapecuru, Rosário e etc.

Devido a sua grande habilidade para o comércio (convém relembrar que os Libaneses são o antigo povo Fenício), mesmo sem dominar o idioma nacional, passaram a comercializar produtos qur trouxeram consigo e assim a amealhar capital. Com o tempo, cresceram tanto na atividade e em número de imigrantes que passaram a incomodar os grandes comerciantes locais, muitos dos quais de origem portuguesa. É dessa época o apelido depreciativo que lhes foi dado – carcamano -, também atribuído aos italianos, sendo aquele que carca a mão na balança para ganhar no peso. Hehehe. Logicamente que eles detestavam a alcunha.

Dos casamentos em familia passaram a se relacionar com as nativas e dos matrimônios dai resultantes passaram de imigrantes a locais. Investiram no comércio tanto quanto na educação dos filhos, o que resultou em profissionais de sucesso. Esse investimento resultou em membros valorosos da nossa sociedade. Vários se tornaram políticos e chegaram, inclusive, a governar o Estado. Outros se tornaram parlamentares, médicos, advogados, juízes, desembargadores, etc, além, claro, de grandes comerciantes e chefes de cozinha  (como é saborosa a gastronomia Libanesa).

O Maranhão deve muito à comunidade libanesas. Meu muito obrigado aos Murad, Fecury, Braide, Mubarack, Maalouf, Sadick, Nahuz, Saback, Boabaid, Elouf, Sauaia, Bayma, Choairy, Sekeff, Saif, Boueres, Mettre, Cassas, Haickel, Aboud, Assad, Boahid, Askar, Dino, Buzar, Tanus, Abdalla, Francis, Boaid, Facury, Simão, Marão, Damous, Nicolau, Salomão, Jereissate, Nesrallah, Feres, Felix, Gedeon, Sessim, Trovão (Raad), Naufel, Darwiche (Araújo), Salem, Kubrusly, Rahbani, Said, Moucherek, Tajra, Millet, Trabulsi, Hachem, Ayoub, Duailibe, Saads, Bandeira, Assub, Youseef, Wassouf, Fiquene, Jorge, e tantos outros. Seria muito bom e importante se estas famílias se reunissem para criar o museu da imigração Sírio-Libanesa. Essa trajetória não pode ser esquecida.

E viva os Libaneses do Maranhão.

Robert Willian Valporto

Robert Willian Valporto é graduado em Comunicação Social - Jornalismo; em Gestão Pública; pós-graduado em Assessoria e Gestão da Comunicação; MBA em Gestão Pública; Mestrando em Comunicação.

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