Domingo de ramos

Por Armstrong Lemos

Para os cristãos, o domingo de ramos, é a celebração da entrada de Jesus em Jerusalém, montado em um jumentinho – o símbolo da humildade – e aclamado pelo povo simples que O aplaudia como “Aquele que vem em nome do Senhor”. Esse povo, há poucos dias, tinha visto Jesus ressuscitar Lázaro de Betânia e estava maravilhado, pois tinha a certeza de que esse era o Messias anunciado pelos profetas, mas, esse mesmo povo tinha se enganado com o tipo de Messias que Cristo era. Pensava que fosse um Messias político, libertador social, que fosse arrancar Israel das garras de Roma e devolver-lhe o apogeu dos tempos de Salomão.

Jesus, não era um líder político no sentido estrito da palavra. Não era o seu reino, como Ele mesmo dizia, desta terra. Era o reino dos céus.

Cristo, na sua missão, veio para ensinar aos homens que a vida não era só a matéria. Que a morte, assim compreendida por diversas religiões, dentre estas as correntes espiritualistas, era apenas uma passagem para um clico de uma nova vida.

A ressureição de Jesus, prova da superação da morte, é a libertação do homem quanto à concepção do próprio conceito de vida, para além de uma estada aqui na terra.

O Domingos de Ramos, tradição católica, é a contagem de uma série temporal que culminou na ressureição de Cristo, passando pelo seu calvário na cruz.

O messias, sacrificou-se, sob as lanças injustas do povo daquela época, preterida a sua soltura por um criminoso, Barrabás, a quem esse mesmo povo deu liberdade.

Não foi só injustiça, foi sacrifício, pois Cristo veio à terra para passar por isso, para ensinar aos homens lições importantes, de humildade, sacrifício, verdade e abnegação.

Quando desceu ao plano terrestre, a missão de Jesus estava escrita, tal qual profetizaram aqueles que o antecederam.

Do nascimento à ressurreição, o plano de Deus foi escrito para dar ao homem a boa nova, sob sacrifícios. No entanto, muitos lideres religiosos, deturpam o legado de Jesus, fazendo do cristianismo aquilo que o próprio Jesus combateu quando expulsou os comerciantes do templo (Jo2, 13-22).

Expulsando os comerciantes, Jesus denuncia a opressão e a exploração dos pobres pelas autoridades religiosas. Prevendo a ruína do templo, ele mostra que essa instituição religiosa estava desvirtuada. Doravante, o verdadeiro Templo é o corpo de Jesus, que é morto, mas ressuscita. Deus não quer habitar em edifícios, mas na própria pessoa. O apóstolo Paulo afirma que nosso corpo é templo do Espírito Santo (cf. 1Cor 3.16; 6.20).

As organizações religiosas são fundamentais para manter viva a palavra do Cristo, no entanto, é preciso que o povo de Deus conheça e separe o joio do trigo, pois há muitos lobos em pele de cordeiro que usam a religião para se camuflarem em seus pecados e desejos materiais.

Não raro são os escândalos envolvendo lideranças religiosas em situação desmoralizante, mas devemos separar o Cristo, que é amor e renúncia, daqueles que usam o Seu nome para tirar proveito.

Assim como Jesus resistiu no deserto às investidas de Satanás, devemos resistir as facetas modernas daqueles que vendem Cristo, como se fosse um produto comercial, que usam a boa fé Cristã, para obterem vantagem política, dizendo-se representantes de Deus.

Deus não se envolve na política, quem diz estar fazendo em seu nome, está a usar o nome Dele em vão. São comerciantes da fé, tais quais aqueles que o próprio Jesus expulsou do templo.

Que a páscoa seja a entrada de Jesus em nossos corações, e que a sua obra de amor e de renuncia seja o nosso guia.

Feliz páscoa a todos e todas!

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Robert Willian Valporto

Robert Willian Valporto, editor-chefe do Portal AtéHoje, é pós-graduado em Gestão Pública; pós-graduado em Assessoria e Gestão da Comunicação; e Graduando em Comunicação Social - Jornalismo.

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