EUA + BRASIL= ALCÂNTARA

Por Sérgio Muniz

Recentemente, quando registrei a aprovação do Projeto que cria a ZEMA (Zona de Exportação do Maranhão) na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, tive acesso ao vídeo apresentado aos Senadores durante a sessão e nele há uma passagem muito interessante registrando a proximidade entre o Porto do Itaqui e Alcântara. Essa realidade faz do Maranhão um lugar único, haja vista que temos o segundo porto mais profundo do mundo e a melhor posição para lançamento de satélites, distando 2 graus e 18 minutos da linha do Equador, o que propicia uma economia de combustível da ordem de trinta por cento.

Não bastasse sua importância histórica, seu casario colonial e suas belas praias, o que faz dela um grande destino turístico, Alcântara também é a maior esperança tecnológica brasileira dos últimos 30 (trinta) anos. Nela foi instalada nossa segunda base aeroespacial, o Centro de Lançamento de Alcântara, ou simplesmente CLA, através do qual o Brasil espera entrar em um mercado de 300 (trezentos) bilhões de dólares.

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Inicialmente trabalhado em parceria com a Ucrânia, o projeto aeroespacial brasileiro visava não somente lançar satélites através do VLS, mas acima de tudo alcançar um nível tecnológico que somente poucos países conseguiram. Não por acaso, partindo da premissa de que quanto menos somos mais poder nós temos, a transferência de tecnologia encontrou reação nas grandes potências mundiais que se posicionaram contrárias ao Brasil alcançar esse grau de desenvolvimento, chegando mesmo a retaliar a Ucrânia pela parceria, consoante noticiado tempos atrás.

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Trinta anos se passaram desde o início do projeto. Ao longo desse tempo, a Índia, País contemporâneo na mesma caminhada, evoluiu bem mais que nós. Temos excelentes técnicos, uma base moderna e viável, mas não tivemos governantes que entendessem verdadeiramente a importância de tudo. Milhões foram investidos, comunidades centenárias foram deslocadas de suas povoações, tivemos um grave acidente que destruiu a torre de lançamento e que causou a morte de vários técnicos, mas as maiores perdas foram o não desenvolvimento do município sede e a paralisação do projeto pelo descumprimento do acordo com a Ucrânia.

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Agora, tantos anos depois, um dos Países que se posicionava contrário à transferência de tecnologia, os EUA, se interessa por Alcântara e pelo CLA. O Brasil quer a parceria e um novo protocolo de intenções começa a ser analisado. Espera-se que na pauta esteja não uma cessão de território, mas um compromisso de transferência efetiva de tecnologia e de investimento na base aérea, no projeto e no Município de Alcântara. Na história, certamente estarão maranhenses que se empenharam para que o Brasil e o Maranhão atingissem o patamar aeroespacial, pessoas como os Deputados Federais Pedro Fernandes, José Reinaldo Tavares e os Senadores João Alberto, Roberto Rocha e Edison Lobão, além da ex-Governadora Roseana e do ex-Presidente José Sarney. Para este último uma certeza, fruto do seu visionário discurso de posse como Governador do Maranhão em 1966: o Maranhão não será caldatário marginal do progresso e o Porto do Itaqui e a Base de Alcântara serão as alavancas desse desenvolvimento.

Robert Willian Valporto

Robert W. Valporto é graduado em Comunicação Social - Jornalismo e em Gestão Pública; pós-graduado em Gestão Pública; e pós-graduado em Assessoria e Gestão da Comunicação.

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