O encarceramento do dono da “quitanda”

Por Robert Willian Valporto*

E agora, o que será de nós? Essa é a pergunta que têm-se feito centenas de comerciantes que, em muitos casos, dependem apenas daquele pequeno lucro de sua “quitanda” para levar o de comer para a mesa, para criar seus filhos e netos Maranhão à fora.

Não é à toa que essas pessoas estão se fazendo essa pergunta. O Maranhão enquanto Estado não tem sido um grande parceiro desses pequenos empreendedores. Isso se deve a vários fatores, àqueles que nem sempre vemos na TV e, principalmente, em vídeos publicitários que indicam um estado que entrou nos trilhos do desenvolvimento, como diria Temer.

Confiram o que postou uma fonte de confiança dos governistas e dos não-governistas maranhenses:

Nos últimos três anos, sobretudo, a notícia que girou pelo Maranhão foi o aumento de impostos cada vez mais expressivo – notícias veiculadas seja por meio de portais de notícias de expressão nacional, a exemplo do G1, seja por meio dos blogs, que são uma plataforma de comunicação costumeiramente utilizadas pelos maranhenses.

A grande mídia estadual e nacional noticia, muitas das vezes, a reclamação “dos grandes” – de empresários de grande porte. Mas, que dizer dos menores? Pois bem, conto-vos o que ouvi pelo Maranhão durante 45 dias que visitei mais da metade dos municípios maranhenses.

A principal medida que os donos de quitandas pediam para os que se candidatassem a representantes políticos, era a redução de impostos. Arrocho fiscal, em épocas de crise, afasta o grande empresário, traz prejuízo ao médio e destrói por completo as esperanças daqueles pequenos, que pouco ou nada mais tem como recurso.

Leva-nos a constatar, após ouvir centenas de pessoas que comungam do mesmo pensamento, que a reclamação por atitudes do governo, não é apenas um discurso de oposição, que pensa em com isso desgastar a imagem do Executivo maior do Estado.

O pequeno agricultor, que é um empreendedor – diga-se de passagem um dos mais batalhadores – que tinha apenas aquele veículo, apreendido pela falta do pagamento de um dois anos de IPVA, não terá outra maneira de levar sua farinha da casa do forno para a cidade e assim comercializa-la. Se outro o fizer, o ele terá que pagar para isso, onerando o pouco que já receberia.

Por que não conciliar? O que impede o Estado de negociar a dívida para que ele tenha seu veículo de volta? Esse seria o caminho. Não se trata da reclamação da apreensão; sim de impossibilitar, por cobranças até de hospedagem do veículo, o dono do veículo de tê-lo novamente. Por que não reduzir os demais impostos? Quem lucra com isso? São tantos por quês…

Este não é um artigo de ataques. É de reflexão!

Se o chefe maior do Estado maranhense não teve essa criatividade, não pensou nos pequenos, onde estavam os deputados eleitos pelo povo para o sugerir? Ah, as vezes esquecemos que boa parte deles ajudou a aprovar aumento de impostos para o deleite e agrado da Casa Grande.

Enquanto os grandes se preocupam em satisfazer a eles próprios, o pequeno (não em capacidade mas em poder) está encarcerado, sem ter a quem recorrer. E o motivo? Todo mundo já conhece! É que o de cima, sobre. E o de debaixo, desce.

 

Foto destaque: Kayo Sousa 

 

* Robert Willian Valporto é jornalista por formação, graduado e pós-graduado em Gestão Pública.

Robert Willian Valporto

Robert Willian Valporto é graduado em Comunicação Social - Jornalismo; em Gestão Pública; pós-graduado em Assessoria e Gestão da Comunicação; MBA em Gestão Pública; Mestrando em Comunicação.

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