Como a eleição da OAB/MA influencia no projeto político individual de Flávio Dino

Por Robert Willian Valporto*

 

Uma das mais acirradas disputas para a presidência da seccional maranhense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), chegou ao fim. As eleições foram marcadas por fortes acusações, defesas, apresentação de propostas e influência de onde não poderia vir.

Os candidatos 

Caminhava intensamente, acreditando no prestígio em torno dos sindicalistas, o candidato Mozart Baldez, da Chapa 01. Com discursos duros e respostas rápidas, o presidenciável fez-se valer da estratégia do recém-eleito presidente Bolsonaro para a tentativa de mobilizar público.

Acreditem, isso não é coisa da minha cabeça!

Primeiro, em vários discursos o candidato fez referência a Bolsonaro para falar da nova cara de mudança que o Brasil quer; num debate, após estar sendo duro [até demais] com adversários, um dos seus assessores disse-me nos corredores: é isso que o povo quer. Mas não deu pra eles!

Em uma campanha sem muitos ataques apareceu a candidata Sâmara Braúna que, apesar de beleza e simpatia, não conseguiu alavancar a campanha. Esperava-se um pouco mais dela, tendo uma campanha limpa como a que fez, baseada em propostas. Mas sua chapa ficou no mesmo número que possuía, em terceiro lugar.

A disputa então ficou entre os dois mais comentados nesta eleição e, então, entra em cena o personagem central deste artigo, o governador do Estado, Flávio Dino.

Quem lutava pela reeleição era Thiago Diaz, que já tinha sido surpresa na sua eleição em 2015 por ser jovem advogado e não ter sobrenome de grande influência no Maranhão. Se reeleger dependeria do reconhecimento do seu trabalho por onde passou, já que até mesmo aliados o deixaram para trás no meio da caminhada.

Ironia, ou não, seu principal adversário, o advogado Carlos Brissac disse que nas cidades do interior por onde passou, as subseções, só ouvira falar coisa ruim da gestão de Diaz, mas foi por que o atual presidente levou grande vantagem para cima do adversário, que contava com um “gordo” apoio.

Brissac, da Chapa 02, não estava sozinho. Apesar de parecer inofensivo, e sozinho talvez seja, o advogado contava com a experiência de Mário Macieira, que já tinha permanecido outrora por muito tempo na OAB e era seu padrinho político, além do grande, enorme, gigantesco apoio do Governo.

Secretários de Estado e deputados do PT e PCdoB por várias vezes colocaram a mão na massa, até divulgando em suas linhas de transmissão no WhatsApp mensagens contra Thiago Diaz e, em alguns casos, em favor de Brissac.

Por que o reeleito governador se interessaria tanto pela eleição da OAB/MA? Porque a eleição de Thiago Diaz pode comprometer seu projeto politico individual para os próximos anos. Como?

Dino quer ser o próximo presidente da República. Com o ruim resultado que teve o PT nestas eleições, culpa do Lula, precisará nascer uma nova frente de esquerda, e alguns fanáticos da diretoria da esquerda comandada pelo PT não aceitam ser o Ciro, para disputar lá na frente contra o que terá sido o governo Bolsonaro. Dino quer ser essa figura!

Mas para que esse projeto se torne real, além de tomar a frente em debates nacionais, como na época no impeachment da Dilma ou agora com a eleição de Bolsonaro,  o governador do Maranhão precisa ter a casa alinhada a ele; precisa que nada ou ninguém lhe incomode no Maranhão, já que isso poderá repercutir negativamente lá fora e minar suas chances (tem medo de se queimar como Haddad ao não se reeleger em São Paulo).

Apesar de não tê-lo feito em sua primeira gestão, Thiago Diaz apresenta riscos para o projeto de Dino. Não será estranho que “os Leões” não demorarem a procurá-lo para que os ânimos sejam apaziguados. Colocar outro em seu lugar seria o ideal para Dino, pena [para ele] que a advocacia não tenha aceito.

Em suma, Diaz venceu o governador nessa disputa. Daqui há alguns meses saberemos se o reflexo no projeto individual de Dino poderá ser, ou não, o que ele esperava. Com tanta crise que o Estado passa, sobretudo por estar financeiramente quebrado (salve-se quem puder!!) acredito que será ruim pra ele. Aguardemos, pois…

 

*graduado em Gestão Pública; em Comunicação Social – Jornalismo; pós-graduado em Gestão Pública; em Assessoria e Gestão da Comunicação.

Robert Willian Valporto

Robert W. Valporto é graduado em Comunicação Social - Jornalismo e em Gestão Pública; pós-graduado em Gestão Pública; e pós-graduado em Assessoria e Gestão da Comunicação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *