Oscar 2019: discursos ativistas marcam premiação

A 91º Cerimônia do Oscar, a maior premiação do cinema mundial, aconteceu no último domingo (24) e reuniu várias celebridades do mundo da sétima arte. A obra Bohemian Rhapsody garantiu a maior parte dos Oscars, quatro deles (mixagem de som, ator, montagem e edição de som).

As demais estatuetas ficaram entre Pantera Negra (direção de arte,figurinos e trilha sonora), Green Book (filme, ator-coadjuvante e roteiro original) e Roma ganharam (filme estrangeiro, diretor e fotografia), três para cada; Vice e A Favorita surpreendentemente levaram apenas uma (Melhor maquiagem e melhor atriz, respectivamente).

Além de prêmios, shows e presenças especiais, os discursos também roubaram a cena na premiação, sempre inspiradores, incitando sonhos e contando histórias – alguns deram até uma cutucada no governo norte-americano e no atual sistema mundial.

Ruth Carter, figurinista de ‘Pantera Negra’, foi a primeira pessoa negra a ser indicada ganhar o Oscar de Melhor Figurino e também a ganhar o prêmio. No seu discurso declarou que “finalmente as portas se abriram”.

Hannah Beachler é a primeira mulher negra a ser indicada no prêmio de Melhor Design de Produção e a ganhar esta estatueta. No seu discurso, ela dedicou ao diretor de “Pantera Negra”, Ryan Coogle, que não recebeu indicações a nenhuma categoria. “Eu dou a força para todos aqueles que vêm em seguida, para continuar, para nunca desistir”, disse Beachler. “E quando você acha que é impossível, lembre-se de dizer este conselho que recebi de uma mulher muito sábia: eu fiz o meu melhor e o meu melhor é bom o suficiente”, completou.

Mahershala Ali, que ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, é o primeiro ator negro a ganhar dois prêmios como ator.  

Regina King ganhou o Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante por “Se a Rua Bale Falasse” e se emocionou ao receber o prêmio, agradecendo sua mãe e exaltou as concorrentes. “Estar aqui representando James Baldwin é muito surreal, ele deu luz a esse filme preto e branco. Eu sou um exemplo o que é quando o amor chega a alguém. Tenho que agradecer a muitas pessoas, agradecer a todas que disputaram o prêmio comigo. Deus é bom o tempo todo”, disse.

Antes de entregar o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, o ator Javier Bardem disse que “não há muros que contenham histórias e talentos. Esta noite celebramos a cultura e o idioma de diferentes países”. Em seguida entregando o premio para Roma, do diretor mexicano Alfonso Cuarón, que levou 3 estatuetas pra casa.

Quando Cuarón subiu para receber o prêmio de Melhor Diretor declarou que queria “agradecer à Academia por reconhecer um filme que trata de uma mulher indígena. Uma das 70 milhões de empregadas domésticas sem direitos trabalhistas. Uma personagem historicamente sempre deixada para trás. O nosso trabalho é olhar para onde ninguém olha. Essa responsabilidade se torna muito maior numa época onde estamos sendo encorajados a não olhar. Muito obrigado Libo (que era o nome de sua babá e que inspirou o filme)”.

Spike Lee recebeu o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado com “Infiltrado na Klan” e alfinetou a presidência dos Estados Unidos falando sobre eleições, racismo e escravidão “Hoje é 24 de fevereiro, o mês mais curto do ano. Também é o mês do ano da história negra. 1619… Há 400 anos nós fomos roubados da África e trazidos para a Virginia, escravizados. A minha avó, que viveu até 100 anos de idade, apesar de sua mãe ter sido escrava, conseguiu se formar. Ela viveu anos com seu seguro social, e conseguiu me levar para a universidade NYU. Diante do mundo, eu gostaria de reverenciar os ancestrais que construíram esse país, e também os que sofreram genocídios. Os ancestrais que vão ajudar a voltarmos a ganhar nossa humanidade”, declarou.

Para continuar a polemica, após o anuncio de “Green Book” como melhor filme, Spike Lee levantou-se de seu lugar, e foi para o fundo do Kodak Theater. O filme tem sido alvo de críticas de ativistas negros dos EUA depois da família de Don Shiley, terem chamado de “Sinfonia de Mentiras”. Após a premiação, Lee falou com repórteres e falou sobre o sentimento de ver o longa conquistar a premiação. “Eu senti como se estivesse do lado da quadra no Garden [histórico ginásio do time de basquete do coração do diretor, o New York Knicks] e o juiz tivesse acabado de tomar uma decisão ruim”, afirmou segundo o THR.

Por fim, o grande vencedor da noite foi “Bohemian Rhapsody” que consagrou Rami Malek com o prêmio de “melhor ator”, em seu discurso, agradeceu sua família e exaltou Freddie Mercury “Meu pai não pode mer ver fazer tudo isso. Todos que se arriscaram em mim, em cada passo desse caminho. Talvez eu não tenha sido a escolha obvia, mas deu certo no final. Obrigado Queen, por fazer parte de um pouco dessa história lendária de vocês. Eu penso no que seria falar para o pequeno Rami que isso aconteceria um dia e ele ficaria impressionado. Estar aqui homenageando Freddie Mercury, que é filho de descendentes. Eu também sou filho de descendentes do Egito e estar contando essa história é maravilhoso. Parte da minha história está sendo escrita agora”.

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