Moradores de Açailândia são vitimas de resíduos de usina

No município de Açailândia, o resíduo de uma usina de minério a céu aberto tem vitimado diversas pessoas. Conhecido por “munha”, o pó fino é invisível a olho nu e alcança temperatura capaz de causar temperatura de terceiro grau.

O resíduo é resultado da produção de ferro gusa da empresa Gusa Nordeste S.A, que tem como principal fornecedora de minério a Vale. O ferro gusa é a forma impura de ferro produzida num alto forno que mais tarde dará a forma em ferro fundido ou aço. Montanhas do resíduo são depositadas próxima a casa de moradores em uma área onde não possui cerca nem muros. As chuvas e o vento espalham com facilidade e decanta a munha em outras terras . As informações são da matéria da jornalista investigativa Thais Lazzeri, da Repórter Brasil.

Uma criança de nove anos foi a mais recente vítima. Alan caiu do cavalo em uma área de munha e teve os pés corroídos até os ossos pelo resíduo. Ele permaneceu internado e sedado por 13 dias e levou seis meses para conseguir ficar de pé e andar. As feridas nos pés cicatrizaram quase um ano depois.

A primeira vítima foi outra criança que tinha sete anos em 1999. Segundo relatos, ela não sobreviveu após afundar no resíduo. Na sentença da empresa, em 2002, o juiz afirma que a empresa teria assumido o risco de provocar um acidente.

Um relatório feito pelos servidores do estado afirma que para a empresa continuar seu funcionamento mesmo com a condenação, teria contado com a conivência do governo do Maranhão.

A vistoria feita no local teria sido formada por membros da Secretaria do Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA), da Federação Internacional de Direitos Humanos (FDIH, em inglês) e por um morador afetado. Em um dos vídeos gravados, gravetos de madeira pegam fogo ao serem lançados na “munha”.

Ainda de acordo com as informações da repórter, a empresa teria sido favorecida por uma brecha na lei complementar federal número 140/2011, que estabelece que se uma secretaria não responder ao pedido de licenciamento ambiental, a licença é prorrogada. Desde 2012 essa prorrogação estaria trazendo benefícios a Gusa.

A Gusa e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente foram procuradas, mas não responderam aos questionamentos da Repórter Brasil.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *