Após divulgação de mensagens entre Moro e Dallagnol, OAB recomenda o afastamento dos dois

O Conselho Federal da OAB recomenda o afastamento do ministro Sérgio Moro e dos procuradores da Lava Jato, citados na reportagem do site The Intercept. Reunido nesta segunda-feira (10), o colegiado pediu “prudência”, mas disse que “não se pode desconsiderar, contudo, a gravidade dos fatos, o que demanda investigação plena, imparcial e isenta”.

“Este quadro recomenda que os envolvidos peçam afastamento dos cargos públicos que ocupam, especialmente para que as investigações corram sem qualquer suspeita”, diz a nota.

Entenda o caso

O site The Intercept divulgou na noite do último domingo (9), trechos de mensagens extraídas do aplicativo Telegram, atribuídas a procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e ao juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça.

De acordo com o site, o então juiz Sérgio Moro, orientou ações e cobrou novas operações dos procuradores. Em um dos diálogos, Moro pergunta a Dallagnol, (segundo o site): “Não é muito tempo sem operação?” O chefe da força-tarefa concorda: “É, sim”.

Numa outra conversa, o site diz que é Dallagnol, que pede a Moro, para decidir rapidamente sobre um pedido de prisão: “Seria possível apreciar hoje?” E Moro responde: “Não creio que conseguiria ver hoje. Mas pensem bem se é uma boa ideia”.

Nove minutos depois, Moro, segundo o site The Intercept, adverte a Dallagnol: “Teriam que ser fatos graves”.

O site também diz, que os procuradores da Lava Jato, em conversas no Telegram, trocaram mensagens expressando indignação quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi autorizado pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), a dar uma entrevista à “Folha de S.Paulo”.

Isso demonstraria, segundo o The Intercept, um viés partidário nas ações contra o ex-presidente Lula, cuja eleição, diz o site, os procuradores queriam evitar.

Ainda conforme as apurações do site, mensagens atribuídas aos procuradores, mostram que eles chegaram a traçar estratégias para cassar a autorização, por temerem que a entrevista ajudasse a eleger o então candidato do PT, Fernando Haddad.


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