Todas as ciências são humanas

Desde o início do século XII, a universidade ocupa uma posição estratégica no mundo ocidental, funcionando, ora como um espelho em que se deixam ver o êxito e o sucesso daqueles que vivem para os estudos, ora como uma bússola a partir da qual a sociedade busca seus rumos.

Assim tem sido desde a Idade Média, entretanto, com o crescimento demográfico e as descobertas tecnológicas, eis que a universidade desenvolveu um novo instrumental, não sendo apenas espelho ou bússola, mas laboratório de transformação social.

Em nosso Brasil, país que deve parte expressiva de sua história à colonização portuguesa, o Ensino Superior sempre atendeu àquilo que formou a própria Universidade europeia: à educação das elites político-administrativas que, como na antiga Bolonha e seu prestigiado curso de Direito, representava a formação técnica capaz de lidar com problemas próprios de uma sociedade economicamente em ascensão.

Educando os filhos da elite político-econômica, a universidade brasileira espelhou as diferenças étnico-raciais, as desigualdades regionais, os extremos sociais, concentrando prestígios e status tão inimagináveis quanto aquela clássica frase: “Sabe com quem você falando?” Entretanto, com a abertura a governos mais progressistas e com um olhar mais atento à educação (frutos da redemocratização), o Brasil se abriu à possibilidade de enfrentar as suas mazelas e chagas históricas, dando condições para que, alguém como eu, filho da periferia e testemunha da pobreza, pudesse (por meio do Ensino Superior), partir em busca de formação e dignidade.

Tal fenômeno, que concede à universidade, um caráter transformador, não é uma exclusividade de um país emergente como o Brasil, mas já é critério de crescimento econômico, por exemplo, entre os Tigres Asiáticos, países que, desde meados da década de 90, devem parte substancial de suas riquezas ao incentivo à Educação Superior e à tecnologia. A Educação Superior é espelho, bússola, mas também laboratório para transformações efetivas e socialmente impactantes.

Por saber que a universidade é produto das mudanças estruturais da própria sociedade na qual está inserida, pois é tanto um espelho, uma bússola como um laboratório, é que pretendo lutar em prol de um modelo de gestão que atenda às comunidades circunvizinhas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) -Maranhão afora-, que atenda aos homens e mulheres, crianças e jovens do nosso querido Estado.

Dimensionando este anseio como um sonho possível, quero que a UFMA se torne o espaço da mudança pessoal, familiar e comunitária; daqueles que a estimam tanto quanto eu, daqueles que almejam ver no conhecimento um caminho a seguir. Idealizo uma UFMA que possa estimular a criação de riquezas materiais e espirituais, em que as crianças e jovens não apenas do entorno, mas de todo o Maranhão, possam ver na música, nos esportes, no teatro, nas humanidades, na tecnologia e na ciência, motivos suficientes e inspiradores para suas respectivas mudanças de vida.

Temos riquezas tremendas, coragem, vigor e criatividade ancestrais para merecê-las. No esforço de retribuir aquilo que a Universidade me deu como pessoa, pai, filho, professor e cidadão, é que me disponho ao pleito que se avizinha, não com interesses particularmente envaidecidos de favorecimento pessoal, mas pela necessidade mais que emergencial de disseminar esperanças por meio da Educação.

Juntos, conseguiremos não só diagnosticar os problemas que nos assolam, mas encontrar (com uma política acadêmica mais moderna), meios de dialogar com o Governo do Estado e Municípios. Precisamos ultrapassar os muros que nos separam do resto do nosso Estado e dialogar com a realidade circundante.

Precisamos ter criatividade, diálogo e comprometimento necessários para novos horizontes, novas perspectivas. Precisamos valorizar e estimar nossas raízes, nosso modo de ser, nosso orgulho remanescente de antigos guerreiros indígenas, de negros libertos, aliançado com nossa herança ibérica. Precisamos restaurar nossa africanidade, por meio de parcerias que nos aproximem de nossos irmãos espirituais, sobreviventes dos mesmos dramas e das mesmas misérias.

Precisamos preservar a nossa memória ancestral, que permanece como um manancial nos rincões desse Estado. Musicalidade, tradições orais, saberes genuínos, estão à espera de uma gestão que as resgatem e as integrem em nossa herança intelectual, cultural.

A UFMA que eu sonho não é tão distante assim quanto parece, não está em um futuro remoto nem sossegará tão logo se encerre essa eleição. Ela está em nossas mãos, ela está tão próxima de cada um de nós, quanto o seu voto de confiança! Ela cresce no olhar de todos os que sabem que o nosso querido Estado do Maranhão tem um rumo, e esse rumo só é próspero porque passa pela UFMA!

A Universidade que sonho, vai ao encontro daqueles que amam esse Estado tão próspero, mas, por vezes, tão negligenciado. Não sonharemos como os que ficam à espera dos ventos mais favoráveis, caminharemos juntos e irmanados com a UFMA e com o Maranhão.

Os caminhos da mudança exigem Educação. Os caminhos do Maranhão passam pela UFMA! Caminhe conosco!

Prof.Dr.João de Deus Mendes da Silva

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