Crítica: o papel da mulher, educação, religião e o que diz Edir Macêdo

Por Robert Willian Valporto*

Era uma tarde de quarta-feira, dia cansativo mas que seria recompensado em ver meu time querido vencer mais uma no Campeonato Brasileiro, quando fui surpreendido com um vídeo compartilhado por centenas de milhares de pessoas em uma rede social. Nele, Edir Macêdo comenta o papel da mulher.

Como todo bom líder de um grupo religioso, o nobre Bispo apresenta fatos de sua própria vida para exemplificar a dedicação no que, segundo o próprio, seria para “fazer a vontade de Deus”.

Ao falar de suas filhas, o líder universal fala que a educação de nível superior não era primordial em sua família que, apesar de terem estudado no exterior, fizeram apenas o ensino médio. Por que? Bem, a primeira explicação seria até compreensível: dedicar sua vida ao ministério, ser missionária, servir à Deus.

Em qualquer religião, existem aqueles que dedicam suas vidas em prol da divulgação dos dogmas e crenças. Era perfeitamente compreensível que o Bispo educasse suas filhas para continuarem o comando do império Universal por ele construído.

Mas, mesmo tão convincente com as palavras, o líder universal desandou seu discurso, pelo menos aos que veem de fora, sem as paixões particulares.

Ao se referir a uma das filhas, Edir Macêdo disse que ela deveria ter apenas ensino médio, pois, caso tivesse mais conhecimento que seu marido, se este não tivesse ensino superior, a mulher seria a “chefe da família” – a cabeça, parafraseando a Bíblia – e isso não seria da vontade de Deus.

“Você vai fazer até o ensino médio. Depois, se você quiser fazer a faculdade, você que sabe, mas até o seu casamento você vai ser apenas uma pessoa de ensino médio. Porque se a Cristiane. Vem cá, Cristiane. Se ela fosse doutora e tivesse um grau de conhecimento elevado e encontrasse um rapaz que tivesse um grau de conhecimento baixo, ele não seria o cabeça. Ela seria a cabeça. Não é isso? E se ela fosse a cabeça, não serviria a vontade de Deus”, disse Edir Macêdo.

Ora, ora, ora…

Há maneiras absurdamente diferentes de interpretar a submissão estabelecida na Bíblia para um casal e o amor que entre eles deve existir. Mas, antes, vou lhe contar-lhes uma outra história para contextualizar o que a interpretação bíblica radical pode fazer com determinados fieis.

Algumas religiões pregam que, caso o indivíduo ingira qualquer tipo de bebida alcoólica, ele estará, automaticamente, pecando, errando com Deus e com o Espírito Santo. Bem, em momento algum, de capa a capa, as Escrituras Sagradas proíbem qualquer indivíduo de ingerir bebidas alcóolicas, mas sim, de ser beberrão.

O que ocorre, nesses casos, é que o indivíduo precisa ser muito autodomínio para saber o horário de parar, pra que transtornos não sejam causados por sua embriaguez. E vejam quão atual é a Bíblia! Tantos acidentes, crimes e outrem seriam evitados por conta da embriaguez.

Sigamos, pois…

Como o autodomínio não é uma característica comum à todos, e não é fácil de ser mantido, algumas religiões proíbem expressamente que seus integrantes bebam. É o tipo: se não é garantia que saberá se controlar, é melhor que não beba nada.

Mas, vejam: a ideia é unicamente proteger os seus de si próprio, e dos perigos causados pelo desenfreio de suas ações, ou seja, não é algo determinado na Bíblia. Assim, muitos fieis deixam de beber, seguindo sua religião.

Questionável? Talvez. Mas compreensível!

Voltando ao caso do Bispo Macêdo, mais uma vez a interpretação sob um aspecto particular causa determinações específicas da igreja para com seus fieis. Só que isso foge para além das quatro (ou quatrocentas) paredes do Templo de Salomão.

Aí nasce a opinião deste que vos escreve.

Biblicamente, nada proíbe as mulheres de estudarem, crescerem, serem independentes. Inúmeras conquistas do público feminino (o voto, o direito de se expressar, de como se vestir) são todos postos em xeque nessa interpretação.

Mais que isso!

Não é, apenas, o conhecimento que uma Mulher tem que fará dela uma pessoa que não respeita o seu marido, que não cumpre seu papel dentro da família – que representa muito mais que ser dona de casa, para que entendam que não se resume a tão pouco.

Na verdade, se é para seguir à risca o que diz a Bíblia, contestando diretamente as palavras do Bispo, não é pela submissão abusada pelas igrejas que os discípulos de Cristo seriam identificados. E nem isso que. faria o casamento dar, ou não, certo.

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. (João 13:35 – Bíblia Online)

Aí o segredo de uma família feliz: o amor. Não é o tanto de educação que um, ou outro, tem; não se um, ou outro, tem maior salário; não se um, ou outro, dedicam sua vida à igreja. Sim, o amor!

*Robert Willian Valporto é comunicólogo, graduado e pós-graduado em Gestão Pública; graduado em Comunicação Social - Jornalismo; pós-graduado em Assessoria e Gestão da Comunicação; mestrando em Comunicação; e editor-chefe deste portal, AtéHoje.

Robert Willian Valporto

Robert Willian Valporto é graduado em Comunicação Social - Jornalismo; em Gestão Pública; pós-graduado em Assessoria e Gestão da Comunicação; MBA em Gestão Pública; Mestrando em Comunicação.

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