Bolsonaro extingue registro profissional de jornalistas; por que?

Por Robert Willian Valporto*

Não é novidade que o presidente Bolsonaro não é amante da imprensa, levando em consideração que esta é, depois de sua família, sua equipe de governo e seus discursos, a sua principal oposição, com exceção da rede de comunicações de Edir Macêdo.

E não poderia ser diferente!

Os amantes e defensores do Presidente podem até dizer que ele é atacado, perseguido por certos setores da imprensa (lê-se Rede Globo) – discurso também defendido, também, pelo outro extremo da política nacional.

Mas o que Bolsonaro fez desta vez vai além de querer banir a Globo, falar mal dos blogueiros do G1, criticar a imprensa de esquerda, reclamar dos veículos de comunicação do exterior que criticam sua atuação como Chefe do Executivo Nacional.

Publicado hoje (13), o Diário Oficial da União apresentou a Medida Provisória (MP) 905/19, que altera uma série de pontos da legislação trabalhista e institui a chamada carteira de trabalho Verde e Amarela, onde revoga artigos da regulamentação profissional dos jornalistas (Decreto-Lei 972/1969), que preveem a obrigação de registro para o desempenho da atividade.

Amador na política, mas que pela ignorância [ou falta de opção numa certa conjuntura] chegou à Presidência da República, talvez o Senhor Presidente espere que pessoas como ele, amadores, deem seguimento à imprensa a partir de então, assim como na Record TV, defendendo-o.

Mais que facilitar a inúmeras pessoas prestarem este serviço, Bolsonaro desmerece o esforço de milhares de brasileiros que se esforçam – e se capacitam muito, diga-se de passagem – para desempenharem esse trabalho de maneira correta.

No mais, entende-se que alguns setores da classe política não compreendem que o nicho da Comunicação que fala bem ou defende um indivíduo – e não os desmerecendo, já que o fazem dentro do exercício profissional com as devidas estrategias – são os assessores.

Quem sabe passe na cabeça do Senhor Presidente que, sem a devida capacitação – que vai além dos quatro anos em uma universidade – a imprensa seja “aliada”, ou pucha-sacos, que talvez este espere.

Aos que discordam e se espelham para tantos outros assuntos nos Estados Unidos da América, estudem um pouco mais sobre a influência e direcionamento político dos mesmos em relação aos Democratas e Republicanos.

No mais, que resistam os profissionais e que viva o jornalismo independente, honesto e que se atenha aos fatos!

*Graduado em Jornalismo; em Gestão Pública; Pós-graduado em Assessoria e Gestão da Comunicação; MBA em Gestão Pública; Mestrando em Comunicação

Robert Willian Valporto

Robert Willian Valporto é graduado em Comunicação Social - Jornalismo; em Gestão Pública; pós-graduado em Assessoria e Gestão da Comunicação; MBA em Gestão Pública; Mestrando em Comunicação.

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