A imagem do naufrágio na Bahia que está tocando o mundo

Sentada na maca de uma ambulância, Milena Monteiro, de quatro anos, parecia não entender bem o que tinha acontecido. A travessia de lancha que fazia em companhia da mãe, da avó e do irmão Davi Gabriel, de seis meses, acabou antes que a família chegasse a Salvador.

O naufrágio da embarcação Cavalo Marinho I, ocorrido na manhã desta quinta-feira na Baía de Todos os Santos, deixou pelo menos 18 mortos. Milena não tinha ferimentos aparentes e, atendida pelos médicos, esperava sem chorar pelo pai. A menina ainda não sabia que o irmão não tinha sobrevivido ao acidente.

Segundo o coordenador de urgência do município de Salvador, Ivan Paiva, a equipe médica tentou reanimar o bebê Davi Gabriel por mais de uma hora, mas ele não resistiu. A imagem da criança sendo carregada às pressas pelos bombeiros se tornou um símbolo da tragédia.

“Sem colete, nesta idade, em um mar agitado, a chance de sobreviver é praticamente zero. Criança sempre tem que estar portando colete”, disse o médico. Além de Davi, ao menos mais uma menina, de três anos, ainda não identificada, morreu em decorrência do acidente. Milena teve alta do hospital no início da noite desta quinta.

Dois dias antes, quatro crianças morreram no naufrágio de um barco de transporte de passageiros na cidade de Porto de Noz, no Pará. Ao todo, já foram confirmadas 21 vítimas.

As seis mortes de crianças nos acidentes da Bahia e do Pará nesta semana evidenciam uma realidade trágica. Crianças de até 9 anos são 18% das vítimas de afogamento em acidentes de barco no Brasil – ou 1 em cada 5. É um percentual muito superior ao de mortes de crianças em acidentes de transporte em geral, de 3%.

Robert Willian Valporto

Robert W. Valporto é graduado em Comunicação Social - Jornalismo e em Gestão Pública; pós-graduado em Gestão Pública; e pós-graduado em Assessoria e Gestão da Comunicação.

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